terça-feira, 21 de setembro de 2010


28 de Agosto de 2010- Festa de Santo Agostinho.

Amados irmãos e irmãs, dando continuidade ao Ano Litúrgico que pouco-a-pouco se desenvolve e caminha para seu término, ao encerrarmos a Vigésima Primeira Semana do Tempo Comum, a Igreja como sendo uma Mãe que sempre nos direciona para o caminho da santidade, nos apresenta hoje a figura de Santo Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja. Um grande Santo e homem de Deus. Um homem que como conhecemos sua história, teve uma vida conturbada, marcada por inúmeras dificuldades e conflitos na busca da verdade, que teve uma vida dada aos prazeres momentâneos, aos erros e vícios, mas que com o esforço pessoal e contando especialmente com as orações de sua mãe, Santa Mônica, depois de muita luta conseguiu encontrar-se consigo mesmo e de modo particular, com Deus, levando-o a exclamar com tamanha convicção em suas Confissões as seguintes palavras: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova. Tarde te amei!”. Desse modo, uma vez convertido e tendo encontrado a Verdade que tanto procurava, isto é, o próprio Cristo, tornou-se um grande modelo de cristão para toda a Igreja, para cada um de nós.

Ao olharmos para sua vida somos, portanto, chamados a imitá-lo e a não perdermos tempo de irmos ao encontro do Senhor. Vale a pena enfrentarmos as intempéries de nossa existência e irmos ao encontro de Deus. Oxalá pudéssemos à seu exemplo, mesmo que depois de muitos anos, ao fazermos uma experiência íntima de encontro com Ele, chegarmos ao ponto de também dizer: ó beleza tão antiga e tão nova!, reconhecendo assim Jesus, como sendo o Centro e a beleza de toda a nossa existência e de toda nossa caminhada neste mundo.

Olhando para as leituras que a liturgia nos apresenta, em especial para Evangelho de São Mateus (25, 14-30) a que vamos nos deter com mais atenção nesta reflexão, somos como que convidados a pararmos um instante e pensarmos no silêncio do nosso coração: como estamos cuidando daquilo que o Senhor em sua infinita bondade nos confia? Como estamos lidando com os dons e talentos que ele nos concede? Será que conseguimos fazer frutificar o pouco que está a nosso cuidado? São questionamentos que surgem ao nos depararmos com o Texto Sagrado e que nos ajudam a percebermos até que ponto estamos asumindo a missão que o Senhor nos confia, que é justamente fazermos com que o Reino aconteça no nosso meio, através de nossos dons.

O Evangelho que nos é proposto é bem rico em significado e é justamente isso que ele nos ensina: a termos a capacidade de sermos destemidos em colocar os nossos dons à serviço da comunidade. De nada adianta eu possuir um talento, um dom, se ao invés de fazê-lo crescer eu o enterro, isto é, prefiro guardá-lo comigo, tê-lo em segredo. De nada adianta! É uma ilusão pensarmos que ao fazermos assim estamos agindo correto, pois o dom que possuo só tem sentido na medida que me direciona para o outro, que me faz ser humilde e, ao mesmo tempo, capaz de fomentar a vida da comunidade. É apresentando o meu talento e somando com os outros, ou se quisermos compreender melhor, formando esta grande família de “empregados” como o Evangelho nos indica que o Reino de Deus que tanto almejamos acontece.

Ao contar-nos esta parábola do patrão que sai, faz uma viajem e deixa seus bens aos seus empregados, Jesus quer nos mostrar que Ele é este grande Patrão que está por vir novamente. Ele, que com sua Ascenção aos céus fez esta viagem para o estrangeiro e prometeu voltar e confiou a cada um de nós a administração de seus bens. Note-se, que não somos os donos, mas sim os administradores. Isto nos dá a compreensão de que somos chamados a zelar pelos bens do Senhor. Mas como ouvimos no Evangelho de ontem (Mt 25, 1-13), ninguem sabe qual o dia ou a hora que ele vem ao nosso encontro. O apelo da vigilância é constante. Portanto, há a necessidade de sempre estarmos vigilantes e previdentes. E esta espera não pode se dar de braços cruzados, levando uma vida tranquila, mesquinha, à sós, enterrando nossos talentos, etc. Pelo contrário, deve ser vigiada levando a sério os nossos compromissos. Aquilo que possuímos deve ser colocado em prol do nosso proximo. Mais uma vez afirmo: é só assim que o Reino acontece. É só assim que podemos ser chamados de servos bons e fiéis, pois quando somos fíeis no pouco, o Senhor sempre nos confia algo mais, nos confia dons em abundância e a cada dia nos capacita para melhor lidarmos com eles. Quando agimos de modo contrário, quando seguimos o exemplo do empregado que enterrou o seu talento, o que resta a nós é sermos tratados com desprezo pelo Senhor, pelo “Patrão” e sermos jogados no escuro, onde há choro e ranger de dentes, pois fomos preguiçosos e maus.

Santo Agostinho é hoje homenageado, lembrado em toda a Igreja porque conseguiu fazer seus dons frutificar. Através de seus estudos e de suas várias obras, fez com que muitos crescessem na fé e no amor para com Deus. A sua inteligência dada pelo Senhor, o dispensador dos dons, não foi só para si, mas para fazer o bem a toda a humanidade.Com isso, soube de fato, amar a Cristo e seus irmãos. Ele é santo, porque ao enfrentar na sua vida a experiência do pecado soube procurar a conversão, a mudança de vida. Se antes agia como um servo mau buscando apenas seus próprios interesses, convertido tornou-se um servo bom e fiel, chamado a participar das alegrias na Casa do Senhor.

Portanto, qua a Liturgia de hoje nos ajude a sempre mais colocarmos os nossos dons à serviço uns dos outros, colaborando assim com o bem comum de toda a comunidade. Que possamos à luz do testemunho de fé de Santo Agostinho correr ao encontro da Verdade e que através deste encontro possamos possuir a dignidade de servos bons e fiéis na administração dos bens que nos são confiados.

Edson Francisco dos Santos.
Seminario São Francisco de Paula – Segundo Ano de Teologia.

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