
02 de Agosto de 2010
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo ...
A igreja em sua liturgia nos apresenta hoje a leitura do livro do profeta Jeremias 28, 1-17 e o Evangelho de Mateus 14, 13-21.
A Leitura de Jeremias é um alerta a todos nós que estamos em um caminho de busca e discernimento para fazermos à vontade de Deus. Todos os cristãos desejam estar em conformidade com esta vontade divina, mas para que isto ocorra se faz necessário uma busca constante de intimidade com o Senhor que nos levará a tal conformidade. A leitura é clara quando narra o profeta Ananias a falar em nome do Senhor, profetizando o fim do julgo imposto por Nabucodonosor, rei da babilônia. Esta suporta profecia, posteriormente desmascarada por Jeremias vislumbrava um período de prosperidade o que de fato não ocorreu. Jeremias, como grande profeta, detecta que a vontade de Deus não era o que Ananias havia pronunciado e proclama a verdadeira “palavra do senhor” que alertava os seus filhos sobre um período de maior opressão e não de libertação como Ananias erroneamente anunciou. Fica claro que nem sempre a vontade de Deus é a nossa vontade, o que devemos fazer, portanto, é buscar entender os propósitos do Senhor, mesmo que estes, a principio, nos desagrade.
O Evangelho de Mateus narra o episódio da multiplicação dos pães e segue a mesma linha de reflexão que a leitura de Jeremias nos propôs. Observamos já nos primeiros versículos deste evangelho a perseverança daquelas pessoas que seguiam a Jesus. Estas, vendo que o mestre se afastava para um lugar deserto, descobriram o lugar e foram a seu encontro, de sorte que chegaram antes dele. Ao ver a multidão com sede e fome de Deus, Jesus “moveu-se de compaixão para ela e curou os seus doentes” (Mt 14, 14b). No final da tarde, os discípulos queriam mandar o povo ir embora porque o lugar que estavam era deserto e eles não possuíam ali nada para comer. Foram falar com Jesus a respeito disso e Ele mandou a seus discípulos dar de comer a multidão. Observamos o total embaraço que os discípulos se viram ao ouvir tais palavras de Jesus, pois só possuíam cinco pães e dois peixes. Como alimenta-los com tão pouco? Assim como estes discípulos também nós temos dificuldade de entender de fato à vontade de Deus, pois não raramente esta vontade nos surpreende. Julgamos e planejamos tudo de forma humana, mas o Senhor com sua graça transforma o humano e limitado que possuímos em milagre. É importante ressaltar que Deus não despreza o que é humano, e isto vemos na leitura quando Jesus aceita a pequena oferta dos discípulos. São com os limitados cinco pães e dois peixes que o Senhor alimenta toda aquela multidão. Porque os discípulos não entenderam o que Jesus disse quando mandou que eles alimentassem o povo? Será que estavam em intimidade com Deus para entender os seus planos? Com certeza também os discípulos poderiam ter dado de comer a toda aquela multidão se estivessem “sintonizados” e conformados à vontade divina, mas infelizmente não estavam. Jesus na sua infinita misericórdia os acolhe em sua debilidade e com o que possuíam realiza o Milagre.
Ao analisar-mos esta liturgia percebemos a necessidade de estarmos constantemente buscando entender os planos de Deus a nosso respeito e também com relação ao povo que nos foi confiado. Como batizados precisamos profetizar sua vontade, como Jeremias fez, e executar seus planos exatamente como Jesus realizou, multiplicando os pães e surpreendendo os que o seguiam. Para que isto se concretize nossa intimidade com o senhor é indispensável. Que o Espírito Santo nos ilumine neste caminho de discernimento!
Virgem do Carmo Peregrina,
Rogai por nós. Amem!
Seminarista Diego Borges MVC.
Estudante de Filosofia do Seminário Diocesano São Francisco de Paula de Pelotas/RS.
Membro da Comunidade Católica Virgem do Carmo Peregrina.
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