segunda-feira, 23 de agosto de 2010


21 de agosto de 2010.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo ...

Neste dia a igreja nos traz em sua liturgia a leitura de Ez 43, 1-7a e o evangelho de Mt 23,1-12. A igreja celebra São Pio X, papa (+1914).

A leitura de Ezequiel nos traz uma narrativa em que o profeta é conduzido por Deus para contemplar sua glória, que nesta passagem é simbolizada através do ruído das águas e com o clarão que iluminava a terra. Podemos observar já nesta passagem características que hoje atribuímos ao Espírito Santo, pois é ele que nos ilumina e que através de sua ação purifica (água) nossas vidas.
A leitura segue e constatamos que a glória mostrada a Ezequiel penetrou no templo de sorte que ele “estava cheio do resplendor do Senhor” (Ez 43, 4b). Sabemos que na tradição judaica o templo é o lugar onde reside o próprio Deus e é isto que notamos nos versículo 7a do capítulo 43. Vejamos:
“Filho do homem, disse-me (a voz), é aqui o lugar do meu trono, o lugar onde pus a planta dos meus pés, minha morada definitiva entre os israelitas.”. No novo testamente este lugar em que habita o próprio Deus passa do templo para os corações humanos, pois é em nossos corações que depois do batismo o próprio Deus trindade vem fazer sua morada. Ele sabe que se faz necessário que o homem seja transformado de dentro para fora, num processo contínuo de conversão que inicia com o nosso batismo e terminará apenas com nossa morte.

O Evangelho de Mateus nos alerta hoje para o grande perigo que corremos, o de esvaziarmos nossa relação com Deus, fazendo com que nosso culto seja apenas externo, o que, de fato, não agrada ao Senhor. Observamos claramente o exemplo dado por Jesus em que ele mostra a decadência religiosa na qual muitos (não todos) dos fariseus e escribas estavam submetidos. Vejamos:
“Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem move-los sequer com o dedo. Fazem todas as suas orações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos.” (Mt 23, 2-5). Fazendo ligação com a leitura de Ezequiel em que vemos o templo repleto com a glória de Deus e sabendo que este templo, é em nossos dias, o próprio coração humano, percebe-se a necessidade urgente de um profundo e contínuo encontro com Deus. Assim como os fariseus e escribas acostumaram-se com a lei e os preceitos divinos e acabaram por fazer do culto a Deus um momento de promoção pessoal e opressão do povo, também nós, cristãos, se não observarmos nosso chamado de batizados, corremos o sério risco de nos tornarmos fariseus e escribas contemporâneos, que ao invés de promover o povo de Deus, passe a oprimi-lo.
Este problema exposto por Cristo que hoje se atualiza, através da liturgia, é sério e requer de nós um verdadeiro esforço pessoal e comunitário, para que a cada dia estejamos configurados a proposta de nosso mestre. Ele, sabendo de nossa debilidade e limitação, além de nos apontar o erro para que não sejamos seduzidos por ele, também nos aponta o caminho de saída e de libertação. Deixemos que o evangelho fale por si mesmo neste momento:
“O maior entre vós será vosso servo. Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado.” (Mt 23, 11-12). Com estas palavras o próprio mestre nos convoca a humildade, pois só através dela saberemos como proceder em nossa caminhada. Um cristão profundamente humilde jamais irá se emancipar de Deus, pelo contrário, cada dia mais buscará em seu coração, templo vivo do Espírito Santo, a comunhão com seu senhor. Esta busca, longe de se tornar intimista, o levará também a uma verdadeira comunhão com toda a igreja, através do culto que prestamos externamente, principalmente na Santa Missa. Com toda a certeza, Deus que é comunhão por excelência, nos ensinará a viver verdadeira comunhão com todos os batizados, para que juntos, como corpo mítico de Cristo possamos proclamar a salvação que nos vem por seu intermédio.

Rezemos com confiança:
Senhor Jesus Cristo, mestre e autor da humildade, ensina-nos a viver como Tu viveste, para que sendo luz neste mundo possamos conduzi-lo a verdadeira e autentica felicidade. Dá-nos o AMOR que vem só de Vós e ajuda-nos em nossas limitações para que estejamos sempre unidos a Ti, no interior dos nossos corações e no seio de Tua Igreja. Assim seja. Amém!

Diego Santos Borges


Seminarista da Diocese de Rio Grande (2º semestre de filosofia).
Membro da Comunidade Obra Missionária Virgem do Carmo Peregrina.

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